Estágio de observação A escola como território do educar e do aprender

Faixa de preço: R$ 149,99 através R$ 199,99

SKU: Não aplicável Categoria:

Estágio de observação: a Escola como território do Educar e do aprender –

CLIQUE AQUI PARA VISUALIZAR O MANUAL! 

Curso: Pedagogia

40 horas

PORTFÓLIO REFLEXIVO DE EVIDÊNCIAS ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO — A ESCOLA COMO TERRITÓRIO DO EDUCAR E DO APRENDER

Unidade 1

ESTÁGIO DE OBSERVAÇÃO DO AMBIENTE ESCOLAR – PEDAGOGIA

Aula 1

O que é o Estágio Supervisionado?

O que é o Estágio Supervisionado?

Este conteúdo é um vídeo!

Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo

computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo

para assistir mesmo sem conexão à internet.

Estagiário,

Boas-vindas ao

Estágio de Observação do Ambiente Escolar

! Neste primeiro momento da sua

formação docente, você será convidado a conhecer a escola para além do olhar de estudante,

observando seus espaços, relações, organização e função social. Esta experiência será o início

da sua aproximação com a realidade educacional e permitirá que você desenvolva um olhar

investigativo, reflexivo e comprometido com a prática docente.

Este é o seu material de estágio. Aqui, você encontrará todas as informações e conteúdos para a

realização do seu primeiro estágio. Nele, vamos refletir sobre a escola como um espaço de

ensino e aprendizagem. Este material está organizado em três aulas, com todas as orientações

necessárias para você!

Leia-o por completo a fim de compreender toda a sua trajetória aqui. Se tiver dúvidas, os

mediadores e orientadores de estágio estarão à sua disposição para auxiliá-lo!

Apresentamos os três momentos que compõem o seu estágio: os momentos síncronos e

assíncronos com o orientador; as atividades a serem realizadas no campo de estágio, ou seja, na

escola; e, por fim, a organização de seu portfólio.

Momento O que você faz

1. Orientação com o orientador

Encontros síncronos e assíncronos de

alinhamento (4h): boas-vindas e leituras

obrigatórias, ética e Termo de Compromisso,

apresentação das pautas e validação final do

portfólio.

2. Atividades a campo (Aula 2)

Observação sistemática na escola: leitura do

ecossistema, observação em sala pelas

Pautas 1 a 3 e registro no diário de campo.

Total de 30h presenciais. Até 6h por dia

cerca de 5 visitas, a depender da carga horária

diária a ser realizada pelo estagiário.

3. Organização do portfólio (Aula 3)

Organização das evidências, redação da

síntese reflexiva (muro ou ponte) e montagem

do portfólio final para postagem no AVA (6h).

Total da disciplina: 40h (4h + 30h + 6h).

Importante:

você só pode iniciar as visitas com o Termo de Compromisso assinado e aprovado

no portal. No campo, o limite é de até 6 horas por dia.

As atividades que você vai realizar

São quatro atividades que geram as entregas do seu portfólio, além dos momentos de

orientação.

Atividade O que fazer Entrega no portfólio

Orientação

Participar dos quatro

momentos de orientação

síncrona e assíncrona com o

orientador. Ficha de avaliação do

orientador

Atividade 1, Aula 1

Leitura dos textos e produção

de texto reflexivo. Entrega 1 — Texto reflexivo

Atividade 2, Aula 2

Mapear a escola como

ecossistema: elaborar o

Mapa Mental Institucional. Entrega 2 — Mapa mental do

funcionamento da escola

observada

Atividade 3, Aula 2

Observação em sala de aula,

por meio das pautas de

observação. Entrega 3 — Diários de campo

Disciplina

ESTÁGIO DE OBSERVAÇÃO: A

ESCOLA COMO TERRITÓRIO DO

EDUCAR E DO APRENDER

PEDAGOGIA

Disciplina

ESTÁGIO DE OBSERVAÇÃO: A

ESCOLA COMO TERRITÓRIO DO

EDUCAR E DO APRENDER

PEDAGOGIA

A quantidade de observações

dependerá da carga horária

diária realizada pelo

estagiário.

Produção da cápsula de

conhecimento com síntese

Atividade 4, Aula 3

reflexiva sobre a

problematização do estágio.

Bons estudos!

Ponto de Partida

Entrega 4 — Cápsula + síntese

reflexiva

Problematização

Você já parou para pensar por que escolheu estar aqui? No início da faculdade, o desejo de “ser

professor” geralmente nasce de uma vontade de transformar vidas. Mas, na prática, onde essa

Disciplina

ESTÁGIO DE OBSERVAÇÃO: A

ESCOLA COMO TERRITÓRIO DO

EDUCAR E DO APRENDER

PEDAGOGIA

transformação acontece? O movimento das crianças nos corredores e no pátio, os avisos nos

murais, as conversas entre professores e funcionários, a organização dos ambientes e a forma

como as pessoas se relacionam revelam muito sobre a identidade da instituição.

O professor não é uma ilha. Ele é o coração de um ecossistema complexo. Neste estágio, sua

missão é olhar para além da lousa e do giz e investigar:

O ser docente:

como o professor que você observa articula saberes? Como a identidade dele

transparece no jeito de falar, de olhar e de acolher cada estudante?

O fazer docente:

ensinar é um ato político e técnico. Como esse professor navega entre as leis

(LDBEN/BNCC), as demandas da gestão e as necessidades reais daquelas crianças?

O seu lugar no futuro

: ao observar esse ecossistema, pergunte-se: “Neste mapa que estou

desenhando, onde eu me vejo? Que tipo de presença eu quero ser nesse ecossistema — alguém

que apenas ocupa um espaço ou alguém que faz a vida ao redor florescer?”.

A sua pergunta norteadora é:

a escola que você visita é um muro que limita o potencial desses

estudantes ou uma ponte que os conecta com o futuro? E você, está se preparando para ser um

construtor de muros ou um arquiteto de pontes?

Leve essa pergunta consigo ao longo de todo o estágio!

Na Aula 3, na Atividade 4, você retornará a ela, respondendo-a a partir das experiências

vivenciadas aqui!

Vamos Começar!

No texto a seguir, apresentamos as principais diferenças entre o Estágio Supervisionado

Obrigatório e o estágio remunerado.

Você sabe o que é o estágio?

Imagine alguém que quer aprender a nadar e, para isso, lê todos os livros sobre natação, assiste

a vídeos, decora os movimentos do nado crawl… mas nunca entra na piscina. Essa pessoa sabe

sobre nadar — mas ainda não sabe nadar. Com a docência acontece algo parecido: as teorias, os

autores e as legislações que você estuda são indispensáveis, mas a profissão de pedagogo só se

aprende, de fato, no encontro com a escola real, com crianças reais, em situações reais.

O

estágio é a sua entrada na piscina

— com uma diferença importante: você não entra sozinho.

Entra acompanhado de professores experientes, com profundidade progressiva e com um plano

de trabalho como este para orientar cada braçada.

Antes de mergulhar, porém, vale responder com precisão à pergunta do título. Afinal, o que é — e

o que não é — o estágio? O que diz a lei? E o que dizem as Diretrizes Curriculares Nacionais

(DCN) do seu curso?

1. O que diz a lei: o estágio é um ato educativo

Disciplina

ESTÁGIO DE OBSERVAÇÃO: A

ESCOLA COMO TERRITÓRIO DO

EDUCAR E DO APRENDER

PEDAGOGIA

O estágio no Brasil é regulamentado pela

Lei nº 11.788, de 25 de setembro de 2008

— conhecida

como Lei do Estágio —, atualizada pela Lei nº 14.913, de 2024. Logo em seu art. 1º, ela define o

estágio como

ato educativo escolar supervisionado

, desenvolvido no ambiente de trabalho, que

visa à preparação para o trabalho produtivo e para a vida cidadã. Repare na ordem das palavras:

antes de qualquer coisa, o estágio é educativo. Ele faz parte do seu projeto pedagógico de curso,

integra o seu itinerário formativo e existe para que você aprenda.

Dessa definição decorrem algumas garantias e regras que protegem você:

O estágio não cria vínculo empregatício

(art. 3º): você não é funcionário da escola, e, portanto,

não pode cobrir falta de professor, assumir turma sozinho, cumprir jornada de trabalhador.

Há sempre três partes envolvidas:

você, a instituição de ensino e a escola concedente, unidas por

um documento chamado

Termo de Compromisso de Estágio (TCE)

. Sem ele, não há estágio

regular.

Supervisão dupla:

a lei exige um professor orientador na sua instituição e um supervisor na

escola concedente — você nunca está “solto” no campo.

Seguro contra acidentes pessoais

e compatibilidade entre as atividades do estágio e o seu curso

são obrigatórios.

Jornada limitada

: o estagiário deve cumprir a carga horária semanal prevista em lei: 6 (seis)

horas diárias e 30 (trinta) horas semanais.

Estágio obrigatório e estágio remunerado: qual é a diferença? A Lei nº 11.788/2008, em seu art. 2º, distingue duas modalidades — e é muito importante que

você não as confunda:

Estágio obrigatório Estágio não obrigatório

(remunerado)

O que é

Componente curricular do

curso, definido no projeto

pedagógico. É requisito para

aprovação e obtenção do

diploma — é o caso DESTE

estágio que você inicia agora.

Atividade opcional, que você

pode buscar por conta

própria para ganhar

experiência e renda,

somando-se à sua carga

formativa.

Remuneração

Não prevê o auxílio de bolsa

ou remuneração.

Bolsa (ou contraprestação) e

auxílio-transporte são

compulsórios por lei.

Disciplina

ESTÁGIO DE OBSERVAÇÃO: A

ESCOLA COMO TERRITÓRIO DO

EDUCAR E DO APRENDER

PEDAGOGIA

Vínculo com o curso

Segue o plano de trabalho, a

carga horária e os campos

definidos pelas DCN e pelo

curso; é acompanhado,

avaliado e registrado em

portfólio.

Deve ser compatível com a

sua área de formação e

formalizado por TCE, mas

não substitui as horas do

estágio curricular obrigatório.

Em resumo: você pode (e muitos estudantes fazem!) ter um estágio remunerado em uma escola

durante a graduação — é uma experiência valiosa. Mas

as horas do Estágio Curricular

Supervisionado Obrigatório são insubstituíveis

: elas têm intencionalidade formativa própria,

supervisão acadêmica e registro específico. Um não anula nem substitui o outro.

2. Mitos e verdades sobre o estágio

“Estágio é só burocracia para pegar o diploma.” —

Mito.

O estágio é, segundo as DCN, a ponte

entre o currículo acadêmico e a sua futura atuação profissional. É no estágio que a teoria ganha

rosto, nome e sala de aula.

“O estagiário substitui o professor.” —

Mito.

A Resolução CNE/CP nº 4/2024 é explícita: o

estagiário não será o principal responsável pela regência das aulas e, quando assumir atividades

docentes, estará sempre acompanhado do professor regente e supervisionado pela instituição

(art. 13, § 2º).

“Estágio é trabalho.” —

Mito.

As DCN de 2024 afirmam que o Estágio Curricular Supervisionado

não é uma atividade laboral: é um componente da sua formação, desenhado como experiência

de aprendizagem e socialização inicial na profissão (art. 13, § 1º).

“O estágio da licenciatura pode ser feito a distância, já que meu curso tem atividades on-line.” —

Mito.

Mesmo nos cursos ofertados na modalidade a distância, o Estágio Curricular

Supervisionado deve ser realizado

integralmente de forma presencial

(Resolução CNE/CP nº

4/2024, art. 14, § 5º). A escola se aprende estando nela.

“Começo a estagiar só no fim do curso.” —

Mito

(e talvez a maior novidade!). As DCN de 2024

determinam que as horas de estágio sejam distribuídas ao longo de todo o curso,

iniciando

desde o primeiro semestre

, com progressão da observação para a atuação (art. 13, § 5º). É

exatamente por isso que você está lendo este plano agora.

3. O que dizem as DCN sobre o estágio no seu curso

Duas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) conversam diretamente com o seu percurso de

estágio:

As DCN do curso de Pedagogia (Resolução CNE/CP nº 1/2006)

já estabeleciam o estágio como

componente central da formação do pedagogo, a ser realizado ao longo do curso,

Disciplina

ESTÁGIO DE OBSERVAÇÃO: A

ESCOLA COMO TERRITÓRIO DO

EDUCAR E DO APRENDER

PEDAGOGIA

Disciplina

ESTÁGIO DE OBSERVAÇÃO: A

ESCOLA COMO TERRITÓRIO DO

EDUCAR E DO APRENDER

PEDAGOGIA

prioritariamente na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, mas também

em outros espaços de atuação — disciplinas pedagógicas do Ensino Médio na modalidade

Normal, Educação de Jovens e Adultos, gestão de processos educativos e reuniões de formação

pedagógica (art. 7º e art. 8º, IV). A ideia é ampliar o seu repertório: o pedagogo atua em muitos

territórios, e o estágio deve apresentá-los a você.

As novas DCN da Formação de Professores (Resolução CNE/CP nº 4/2024)

deram ao estágio

um desenho ainda mais robusto. Ele constitui um núcleo próprio do currículo — o

Núcleo IV —

Estágio Curricular Supervisionado

, com

400 horas

distribuídas desde o início do curso — e é

definido como a ponte entre o currículo acadêmico e o espaço de atuação profissional do futuro

professor (art. 13, IV; art. 14, § 1º). A resolução detalha como essa ponte deve ser atravessada:

Progressão cuidadosa:

começa-se pela observação, com protocolos claros, e avança-se

gradualmente para a atuação docente acompanhada (art. 13, § 5º, II).

Articulação com as disciplinas:

cada semestre de estágio tem focos definidos, conectados às

disciplinas de prática de ensino (art. 13, § 5º, III).

Acompanhamento duplo:

supervisão de um docente do curso e mediação de profissionais de

referência da escola, que acolhem e dialogam com o estagiário (art. 13, § 5º, IV e V).

Devolutivas constantes:

múltiplas oportunidades estruturadas de observar, discutir, atuar e

receber retorno sobre a sua atuação (art. 13, § 5º, VI).

Registro em portfólio:

todo o seu desenvolvimento — observações, reflexões críticas,

planejamentos, relatos de experiência — fica documentado no Portfólio de Estágio (art. 7º, XVII),

que será o seu grande companheiro nesta jornada.

4. E agora? O seu ponto de partida

Agora você já sabe: o estágio é um

ato educativo protegido por lei

, um

componente curricular

obrigatório e insubstituível

e, segundo as próprias Diretrizes, a

ponte

entre tudo o que você

estuda e a profissional ou o profissional que você está se tornando. Neste primeiro semestre, a

travessia começa pelo gesto mais importante de quem aprende:

observar com intenção

.

Você pode acessar o aqui conteúdo em formato de História em Quadrinhos (HQ).

Siga em Frente

Disciplina

ESTÁGIO DE OBSERVAÇÃO: A

ESCOLA COMO TERRITÓRIO DO

EDUCAR E DO APRENDER

PEDAGOGIA

Os dois textos a seguir fundamentam a

Atividade 1

de seu portfólio.

Leitura 1

DCN 2006, DCN de 2024 e BNCC: a escola como território do

educar e do aprender

1. Para começar: por que esta leitura abre o seu estágio?

Você está iniciando o Estágio Curricular Supervisionado logo no primeiro ano do curso de

Pedagogia — e isso não é por acaso. A Resolução CNE/CP nº 4, de 29 de maio de 2024, que

institui as novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para a formação de professores,

determina que o estágio tenha suas horas distribuídas ao longo de todo o programa de

formação, desde o início do curso, com uma progressão cuidadosa: primeiro, atividades de

observação, orientadas por protocolos claros; depois, gradativamente, atividades em que o

licenciando assume ações docentes (Brasil, 2024, art. 13, § 5º).

Disciplina

ESTÁGIO DE OBSERVAÇÃO: A

ESCOLA COMO TERRITÓRIO DO

EDUCAR E DO APRENDER

PEDAGOGIA

Disciplina

ESTÁGIO DE OBSERVAÇÃO: A

ESCOLA COMO TERRITÓRIO DO

EDUCAR E DO APRENDER

PEDAGOGIA

Isso significa que o seu primeiro movimento como estagiário não é ensinar: é

olhar

. Mas

ninguém olha para a escola com olhos neutros. Todos nós fomos estudantes durante muitos

anos e carregamos imagens, lembranças e julgamentos sobre o que a escola é e sobre o que ela

deveria ser. O objetivo desta leitura é oferecer a você lentes teóricas e legais para qualificar esse

olhar: compreender a escola como

território do educar e do aprender

e refletir sobre a sua

função

social

, à luz de três marcos fundamentais — as DCN do curso de Pedagogia de 2006, as DCN da

formação docente de 2024 e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) — e do pensamento de

autores que se dedicaram a essa questão.

Ao final do texto, você encontrará as orientações para produzir a sua reflexão escrita, que deverá

ser anexada ao Portfólio de Estágio.

2. A escola como território do educar e do aprender

A palavra território pode parecer, à primeira vista, emprestada da Geografia — e é. O geógrafo

Milton Santos (1994; 2000) nos ensina que o território não é apenas o chão, o espaço físico

delimitado: é o território usado, isto é, o espaço apropriado e transformado pelas pessoas que

nele vivem, trabalham, disputam sentidos e constroem identidades. O território é, portanto,

espaço de relações — e é exatamente assim que devemos compreender a escola.

A escola não é o prédio, os muros, as carteiras enfileiradas. A escola é um espaço socialmente

produzido: nela circulam culturas, histórias de vida, conflitos, afetos, regras explícitas e regras

silenciosas. Viñao Frago e Escolano (1998) mostram que até a arquitetura escolar “ensina”: a

disposição das salas, dos pátios, dos murais e dos horários expressa uma determinada

concepção de educação, de infância e de disciplina. Quando você entrar na escola como

estagiário, observe:

o que aquele espaço diz antes mesmo de qualquer professor falar?

Miguel Arroyo (2000) acrescenta uma dimensão essencial: a escola é um tempo-espaço de

humanização

. Nela não se aprendem apenas conteúdos; aprendem-se modos de ser, de conviver,

de participar da vida coletiva. Por isso, dizer que a escola é território do educar e do aprender é

reconhecer que educação e aprendizagem não acontecem em abstrato: acontecem em um lugar

concreto, habitado por sujeitos concretos — crianças, jovens, adultos, professores, gestores,

famílias, funcionários —, em um determinado bairro, com uma determinada história e

determinadas condições sociais.

Paulo Freire (1989; 1996) sintetiza essa ideia ao afirmar que a leitura do mundo precede a leitura

da palavra:

Os estudantes chegam à escola carregando saberes, experiências e uma leitura própria da

realidade. Respeitar esses saberes e, ao mesmo tempo, alargá-los, é parte do que torna a escola

um território vivo de aprendizagem — e não um espaço de mera transmissão.

3. A função social da escola: o que dizem os autores

Se a escola é um território, qual é a sua função na sociedade? Essa pergunta atravessa a história

da educação e recebe respostas diferentes — e, por vezes, conflitantes.

Disciplina

ESTÁGIO DE OBSERVAÇÃO: A

ESCOLA COMO TERRITÓRIO DO

EDUCAR E DO APRENDER

PEDAGOGIA

Para Dermeval Saviani (2011), na perspectiva da pedagogia histórico-crítica, a função primordial

da escola é a

socialização do saber sistematizado

:

A escola existe para garantir que todos — e não apenas alguns — tenham acesso ao

conhecimento elaborado, científico, artístico e filosófico que a humanidade produziu. O que

justifica a existência da escola é justamente aquilo que não se aprende espontaneamente na

vida cotidiana.

Em diálogo com essa posição, o sociólogo inglês Michael Young (2007), ao perguntar “para que

servem as escolas?”, responde com o conceito de

conhecimento poderoso

:

A escola é a instituição capaz de oferecer aos estudantes — sobretudo aos mais pobres — um

conhecimento que eles dificilmente adquiririam em casa ou na comunidade, e que lhes permite

compreender e transformar o mundo. Negar esse conhecimento é aprofundar desigualdades.

José Carlos Libâneo (2012) alerta para um risco contemporâneo: a constituição de um dualismo

perverso, em que se consolida uma escola do conhecimento para os ricos e uma escola do mero

acolhimento social para os pobres. Para o autor, acolher é necessário, mas não basta:

A função social da escola pública se cumpre quando ela

democratiza o conhecimento e promove

aprendizagens efetivas para todos

, articulando qualidade social e justiça curricular.

Vitor Henrique Paro (2016), por sua vez, vincula a função social da escola à

apropriação da

cultura

em sentido amplo — conhecimentos, valores, arte, ciência — e defende que essa função

só se realiza plenamente em uma escola gerida democraticamente, na qual estudantes, famílias

e comunidade participam das decisões.

A gestão democrática, prevista na própria legislação educacional brasileira, não é um detalhe

administrativo: é condição da função social da escola.

Paulo Freire (1996) adiciona a dimensão ética e política:

Educar é prática de liberdade, e ensinar exige a convicção de que a mudança é possível.

A escola, nessa perspectiva, forma sujeitos críticos, autônomos e capazes de intervir na

realidade — não apenas mão de obra ou bons cumpridores de tarefas.

E António Nóvoa (2022) atualiza o debate ao propor três verbos para a escola pública do nosso

tempo:

[…] proteger

(a infância, o direito de aprender),

transformar

(as práticas, os espaços, os modos de

ensinar) e

valorizar

(os professores e o conhecimento profissional docente).

Note que, com ênfases distintas, esses autores convergem em um ponto: a escola tem uma

função social

insubstituível

, ligada ao direito de todos ao conhecimento, à cidadania e à

humanização. É com esse pano de fundo que podemos, agora, ler os marcos legais.

4. O que dizem os marcos legais

4.1 As DCN de 2006: a escola como organização complexa e a docência ampliada

A Resolução CNE/CP nº 1, de 15 de maio de 2006, instituiu as Diretrizes Curriculares Nacionais

para o curso de graduação em Pedagogia, licenciatura, e estruturou a identidade do curso que

você está cursando. Dois pontos merecem destaque para a nossa reflexão.

Disciplina

ESTÁGIO DE OBSERVAÇÃO: A

ESCOLA COMO TERRITÓRIO DO

EDUCAR E DO APRENDER

PEDAGOGIA

Primeiro, a definição de

docência

como ação educativa e processo pedagógico metódico e

intencional, construído em relações sociais, étnico-raciais e produtivas (Brasil, 2006, art. 2º, § 1º).

Ensinar, portanto, nunca é um ato meramente técnico: é um ato situado em um território social.

Segundo, ao definir o que é central na formação do pedagogo, a resolução afirma, em seu art. 3º,

parágrafo único, inciso I:

O conhecimento da escola como organização complexa que tem a função de promover a

educação para e na cidadania (Brasil, 2006, art. 3º).

Essa formulação é preciosa: a escola é uma organização complexa — com gestão, currículo,

relações, normas, cultura própria — e sua função é promover a educação

para

a cidadania

(preparar para a vida cidadã) e

na

cidadania (sendo, ela mesma, um espaço de exercício

democrático). Além disso, as DCN de 2006 ampliaram o horizonte de atuação do pedagogo para

a docência na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, a gestão de

processos educativos e a produção de conhecimento, em espaços escolares e não escolares

(Brasil, 2006, arts. 4º e 5º).

As DCN de 2024: a formação docente e o estágio como ponte

A Resolução CNE/CP nº 4, de 29 de maio de 2024, instituiu novas Diretrizes Curriculares

Nacionais para a Formação Inicial de Profissionais do Magistério da Educação Escolar Básica,

organizando os cursos de licenciatura em torno de uma

base comum nacional

e de quatro

núcleos formativos: Estudos de Formação Geral; Aprendizagem e Aprofundamento dos

Conteúdos Específicos; Atividades Acadêmicas de Extensão; e Estágio Curricular Supervisionado

(Brasil, 2024, art. 13).

Para o nosso tema, dois aspectos são fundamentais. O primeiro, a concepção de estágio. A

resolução define o Estágio Curricular Supervisionado como

componente (disciplina) obrigatório

,

realizado em instituição de Educação Básica, planejado para ser a ponte entre o currículo

acadêmico e o espaço de atuação profissional do futuro professor, conectando

progressivamente teoria e prática — inicialmente por meio da observação e, aos poucos, pela

atuação direta em sala de aula (Brasil, 2024, art. 13, IV). O estágio não é atividade laboral: é uma

experiência de aprendizagem e de socialização inicial na profissão (Brasil, 2024, art. 13, § 1º). É

por isso que a sua primeira tarefa é observar e refletir — e não substituir o professor regente.

O segundo, o registro. As DCN de 2024 determinam que o desenvolvimento do licenciando no

estágio seja registrado em documentação adequada — o

portfólio

ou recurso equivalente —,

reunindo observações, reflexões críticas, planejamentos e relatos de experiência (Brasil, 2024,

art. 7º, XVII). A reflexão que você produzirá ao final desta leitura é, exatamente, a primeira peça

desse portfólio: o registro do seu olhar inicial sobre a escola.

A BNCC: direitos de aprendizagem e compromisso com a educação integral

A Base Nacional Comum Curricular (Brasil, 2018b) é o documento de caráter normativo que

define o conjunto de

aprendizagens essenciais

que todos os estudantes brasileiros têm o direito

de desenvolver ao longo da Educação Básica. Ela se organiza em torno de dez

competências

Disciplina

ESTÁGIO DE OBSERVAÇÃO: A

ESCOLA COMO TERRITÓRIO DO

EDUCAR E DO APRENDER

PEDAGOGIA

gerais

, que articulam conhecimentos, habilidades, atitudes e valores — do pensamento científico,

crítico e criativo à empatia, à cooperação e ao exercício da cidadania.

Para a nossa reflexão, o ponto-chave é este: ao definir aprendizagens como direitos,

a BNCC

reposiciona a função social da escola

. A instituição deixa de ser pensada como espaço de

oportunidades para alguns e passa a ser concebida como a

responsável por garantir as

aprendizagens essenciais a todos

, com

equidade

— reconhecendo que os estudantes são

diferentes, partem de pontos distintos e precisam de percursos diferenciados para alcançar

direitos iguais. Além disso, a BNCC assume o compromisso com a

educação integral

: o

desenvolvimento do estudante em suas dimensões intelectual, física, afetiva, social, ética, moral

e simbólica. Há aqui um eco direto das ideias de Saviani (2011), Young (2007), Libâneo (2012) e

Freire (1996) que vimos na seção anterior: a escola como território onde o direito ao

conhecimento e à formação humana plena se realiza — ou se nega.

5. Articulando os três marcos: a escola que você vai observar

Colocados lado a lado, os três documentos contam uma história coerente. As

DCN de 2006

definem a escola como organização complexa cuja função é promover a educação para e na

cidadania, e formam um pedagogo capaz de atuar na docência, na gestão e na pesquisa. As

DCN

de 2024

exigem que esse profissional conheça criticamente os marcos normativos e os

contextos reais das escolas, e fazem do estágio — desde o primeiro semestre — a ponte entre a

universidade e o território escolar. A

BNCC

explicita o conteúdo dessa função social: garantir, a

todos, direitos de aprendizagem e desenvolvimento, na perspectiva da educação integral.

Quando você realizar suas primeiras visitas e observações, procure enxergar a escola com essas

lentes. Algumas pistas de observação:

O território:

onde a escola está situada? Como é o entorno? Quem são as famílias e a

comunidade atendidas? O que o espaço físico da escola comunica?

As relações:

como se dão as interações entre professores e estudantes, entre gestão e docentes,

entre escola e famílias? Há espaços de participação e de gestão democrática?

O educar e o aprender:

o que a escola parece priorizar — o acolhimento, o conhecimento, ambos?

As aprendizagens parecem ser tratadas como direito de todos ou como privilégio de alguns?

A cidadania:

em que momentos a escola educa para a cidadania (conteúdos, projetos, valores) e

na cidadania (práticas democráticas vividas no cotidiano)?

Seu texto deve ter entre duas e três páginas, redigido em linguagem formal, com citação dos

documentos e de ao menos um autor estudado, conforme as normas da ABNT. Lembre-se: essa

reflexão é o ponto de partida do seu percurso. Ao final do curso, você poderá relê-la e perceber o

quanto o seu olhar sobre a escola se transformou

Tipo

Cópia, Exclusivo

Avaliações

Não há avaliações ainda.

Seja o primeiro a avaliar “Estágio de observação A escola como território do educar e do aprender”

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Carrinho de compras
Estágio de observação A escola como território do educar e do aprenderEstágio de observação A escola como território do educar e do aprender
Faixa de preço: R$ 149,99 através R$ 199,99Ver opções